A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (24) coloca um dado incontornável na disputa pelo Governo do Maranhão: o jogo está longe de estar decidido.
Eduardo Braide aparece na liderança, com 44% das intenções de voto, enquanto Orleans Brandão registra 25%. Felipe Camarão aparece com 6% e Roberto Rocha com 3%. A pesquisa ouviu 900 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
Mais do que os números absolutos, o levantamento ajuda a desmontar a narrativa de uma suposta polarização já consolidada. Orleans chegou aos 25%, mas não conseguiu transformar a exposição e a movimentação política dos últimos meses em uma aproximação real de Braide. Pelo contrário: permanece uma diferença de 19 pontos entre os dois.
E há outro dado importante: Roberto Rocha, que vinha sendo apresentado em diferentes levantamentos como uma alternativa capaz de alterar o cenário, aparece agora com apenas 3%. Na prática, sua entrada não produziu, até aqui, o efeito esperado de retirar votos de Braide. É cedo para cravar qualquer conclusão definitiva, mas o número mostra que a estratégia de fragmentação do eleitorado não funcionou como alguns imaginavam.
CAMARÃO: O JOGO AINDA ESTÁ COMEÇANDO
Felipe Camarão aparece com 6% no cenário estimulado.
Mas transformar esse percentual em sentença definitiva seria ignorar o momento da eleição. Camarão ainda tem espaço para crescer, especialmente com a entrada efetiva de Lula na campanha, o horário eleitoral e o aumento da exposição do candidato em todo o Maranhão.
Além disso, com margem de erro de três pontos percentuais, a leitura de uma pesquisa isolada precisa ser feita com cautela. O levantamento retrata um momento específico, não o resultado da eleição.
E POR QUE TANTO INCÔMODO COM A QUAEST?
A própria trajetória da divulgação da pesquisa tornou o episódio ainda mais político.
A pesquisa chegou a ser suspensa pela Justiça Eleitoral e posteriormente teve sua divulgação liberada parcialmente pelo TRE-MA.
Agora, diante dos números, fica uma pergunta inevitável: por que havia tanto receio de que a Quaest fosse divulgada?
Uma hipótese política ganhou força nos bastidores: justamente porque um instituto de alcance nacional poderia colocar luz sobre um cenário diferente daquele apresentado por levantamentos usados para alimentar narrativas de polarização.
É preciso, porém, separar fato de opinião: não há, nos dados disponíveis, prova de que Orleans tenha pessoalmente determinado a suspensão da pesquisa ou de que pesquisas anteriores tenham sido “pagas por Orleans”. O que pode ser afirmado é que diferentes levantamentos apresentaram cenários bastante distintos e que a Quaest trouxe um retrato no qual Braide lidera com 44% e Orleans aparece com 25%.
Por isso, o eleitor deve desconfiar de quem tenta transformar pesquisa eleitoral em propaganda. Pesquisa não ganha eleição. Pesquisa fotografa um momento.
E a fotografia da Quaest mostra um Maranhão ainda indefinido: Braide lidera, Orleans está distante e aparentemente encontrou dificuldades para avançar, Roberto Rocha não conseguiu alterar o equilíbrio e Camarão ainda tem uma longa avenida de crescimento pela frente.
Muito jogo pela frente. E, definitivamente, o jogo ainda não está jogado.
