Screenshot
Governador afirma ser alvo de “falsas acusações” e diz que perseguição teria origem em 2024; manifestação ocorre após divulgação de novas decisões de Flávio Dino no STF
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), elevou o tom da disputa política e judicial que envolve seu grupo nesta sexta-feira (14). Em publicação no X, o governador afirmou ser alvo de “falsas acusações” e classificou como “perseguição” a série de informações e investigações que vêm atingindo integrantes de seu entorno político e familiar.
“Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa”, escreveu Brandão. Na sequência, afirmou que estaria ocorrendo uma “reedição do roteiro de um assassinato” e acusou adversários de propagarem “inverdades” contra ele.
Brandão também afirmou que a perseguição teria começado em 2024, quando, segundo ele, recusou “propostas indecorosas”. O governador, entretanto, não apresentou no pronunciamento publicado no X uma defesa técnica detalhada sobre os fundamentos das decisões judiciais que estão no centro da nova crise política.
A reação acontece poucas horas depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de decisões relacionadas a uma investigação que reúne suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, fraudes em contratos, obstrução de Justiça e um homicídio ocorrido no Maranhão em 2022.
Investigações atingem pessoas próximas ao governador
O caso ganhou dimensão política porque as investigações alcançam pessoas ligadas ao grupo de Carlos Brandão. Entre os citados está Daniel Brandão, sobrinho do governador e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), que aparece nas apurações relacionadas ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho. As acusações e suspeitas são objeto de investigação e não representam condenação.
As decisões tornadas públicas por Dino também envolvem outros personagens do cenário político maranhense. A Polícia Federal investiga, por exemplo, possíveis tentativas de interferência nas apurações relacionadas ao homicídio, enquanto o senador Weverton Rocha também foi citado em relatório policial por supostas tentativas de interferência — acusações que ele nega.
O próprio Brandão questionou a competência do STF para processar governadores e afirmou que o foro adequado seria o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também criticou a retirada do sigilo de decisões pelo ministro Flávio Dino e apontou conflito político entre seu grupo e antigos aliados do ex-governador.
A guerra política ganha novo capítulo
A manifestação de Brandão ocorre em um momento de forte acirramento político no Maranhão. O governador, que durante anos esteve politicamente associado a Flávio Dino, rompeu com o antigo grupo e passou a enfrentar diretamente setores ligados ao ex-governador e atual ministro do STF.
Com a proximidade das eleições, a disputa deixou de ser apenas uma divergência entre antigos aliados e passou a envolver sucessão estadual, grupos familiares, aliados políticos e investigações judiciais.
O pronunciamento desta sexta-feira reforça esse ambiente de confronto. Ao falar em “perseguição”, “adversários” e “verdade”, Brandão transforma sua manifestação em uma resposta política às revelações que atingem seu entorno.
Ao mesmo tempo, as investigações continuam seguindo seu curso institucional, e as suspeitas mencionadas nos documentos divulgados não equivalem, por si só, a condenações.
O que se desenha, portanto, é uma escalada de uma guerra política que promete influenciar diretamente a disputa eleitoral no Maranhão. De um lado, Brandão tenta apresentar-se como alvo de uma ofensiva política e judicial. Do outro, as decisões e investigações conduzidas no âmbito do STF ampliam a pressão sobre integrantes de seu grupo.
E, à medida que novas informações dos processos vêm a público, a tendência é de que o confronto entre o grupo de Brandão e o campo político ligado a Flávio Dino fique ainda mais intenso.
