Flávio Bolsonaro merece a Presidência da República?
Flávio Bolsonaro tenta apresentar-se como representante de Deus, da família, da pátria e da liberdade. Mas uma candidatura à Presidência precisa ser julgada também pelos frutos políticos do projeto que representa e pela história daqueles que vieram antes dele.
E é impossível falar de Flávio sem lembrar o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022.
Foi um governo marcado por profundas controvérsias sobre direitos sociais, políticas de assistência, igualdade de gênero e tratamento de grupos vulneráveis. Estudos sobre o período apontam redução de recursos destinados ao enfrentamento da violência contra as mulheres e críticas ao enfraquecimento de políticas de igualdade de gênero.
Na assistência social, pesquisas também apontaram redução de recursos federais em meio ao agravamento da pobreza e da fome durante a pandemia.
E é justamente aqui que faço uma pergunta que considero fundamental para qualquer cristão:
Deus faria isso?
Deus abandonaria os pobres?
Deus fecharia os olhos para quem passa fome?
Deus permitiria que mulheres vítimas de violência fossem colocadas em segundo plano?
Deus desprezaria negros, indígenas, pessoas vulneráveis e aqueles que vivem à margem da sociedade?
Ou o Deus apresentado por Jesus estaria justamente ao lado daqueles que mais precisam de amparo?
O próprio ensinamento cristão utilizado pela Igreja Católica nas orientações eleitorais é direto: o voto deve considerar o bem comum, a dignidade humana, a justiça social e o compromisso com os pobres. Em orientação publicada pela CNBB em 2022, foram citados expressamente os pobres, mulheres, negros, indígenas e grupos minoritários, além da necessidade de políticas públicas de saúde, educação, assistência e combate às desigualdades.
E a CNBB voltou a reafirmar em 2026 que a participação política deve estar ligada à democracia, à justiça social, à fraternidade, ao respeito à Constituição e à proteção dos mais vulneráveis.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro constrói sua candidatura com apoio de setores importantes da liderança evangélica, incluindo grandes denominações pentecostais.
Isso não significa que todo evangélico apoie Flávio, nem que toda liderança evangélica pense da mesma forma. Mas revela uma aproximação política que precisa ser discutida.
Porque fé não pode ser salvo-conduto para político algum.
Não basta colocar “Deus, Pátria, Família e Liberdade” em um discurso. É preciso perguntar: que Deus está sendo anunciado? O Deus do Evangelho, que manda alimentar o faminto, acolher o estrangeiro, visitar o doente e cuidar dos pequeninos? Ou um Deus transformado em instrumento de campanha?
E quanto à expressão “falso profeta”, não afirmo que Flávio Bolsonaro seja literalmente o falso profeta das Escrituras. Isso seria uma afirmação religiosa que não cabe a uma análise política.
Mas a advertência de Jesus permanece:
“Pelos seus frutos os conhecereis.”
Portanto, não quero saber apenas quem grita mais alto “Deus, Pátria e Família”.
Quero saber quem protege os pobres. Quem defende a democracia. Quem respeita as diferenças. Quem garante saúde e educação. Quem combate a fome. Quem ampara as mulheres. Quem protege os excluídos. Quem defende a soberania brasileira.
Porque, para mim, não existe patriotismo verdadeiro quando o próprio povo é abandonado. Não existe defesa da família quando os vulneráveis são esquecidos. E não existe coerência cristã quando o sofrimento dos pobres é tratado como detalhe.
Nossa Senhora Aparecida é Padroeira do Brasil.
E talvez seja justamente diante dela que devêssemos fazer a pergunta mais simples:
Se Jesus estivesse diante de nós hoje, ao lado de quem Ele estaria? Ao lado do poderoso que pede votos ou ao lado do pobre que pede ajuda?
A resposta a essa pergunta deveria valer muito mais do que qualquer slogan eleitoral.
Texto- Artur Luís com a colaboração de Italo Jorge da Redação Tribuna Maranhão.
