A Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (SEDUC-MA) está no centro de um escândalo que envolve a compra de livros didáticos avaliada em R$ 242 milhões. As contratações, realizadas por meio de adesão a atas de registro de preços , mecanismo que dispensa licitação própria , beneficiaram duas empresas: o Instituto Nacional Veritas de Cultura Ltda., que recebeu R$ 200,6 milhões, e a STEM Soluções e Integrações Educacionais, contratada por R$ 42,2 milhões. O vice-governador do estado, Felipe Camarão, utilizou suas redes sociais para denunciar o que classificou como um contrato “pra lá de suspeito”, apontando especialmente o armazenamento de livros em um galpão particular no bairro Renascença, situação que ele considerou, por si só, irregular.
Os detalhes sobre a empresa sediada em São Paulo acendem alertas adicionais. O Instituto Nacional Veritas foi fundado em março de 2025, possui capital social de apenas R$ 600 mil e não teve sede própria identificada pelos investigadores. Apesar do perfil modesto, a empresa recebeu o montante milionário da SEDUC por meio da adesão a uma ata de registro de preços originada em Santa Catarina. A velocidade dos pagamentos também chama a atenção: R$ 72 milhões foram liquidados em 15 de julho de 2026, seguidos por mais R$ 128,5 milhões em 20 de julho, poucos meses antes do período eleitoral. A mesma empresa já é alvo de investigações pelo Tribunal de Contas de Rondônia e pelo Ministério Público Federal por contratações semelhantes.
No caso da STEM Educacional, empresa paranaense que firmou contrato de R$ 42,2 milhões com a SEDUC em abril de 2026, as suspeitas envolvem um valor R$ 10 milhões superior ao de uma licitação própria que teria sido interrompida sem explicação. A soma das duas contratações ultrapassa a marca de 42 milhões de livros comprados no meio do ano, conforme denunciou o vice-governador. O cenário se agrava com a informação de que os recursos utilizados para os pagamentos à Veritas teriam origem nos precatórios do FUNDEF, o que motivou a abertura de apuração pela Polícia Federal.
A prova material que pode conectar todas as pontas do esquema surgiu nas últimas semanas: centenas de livros didáticos novos, ainda lacrados e com a identificação oficial do Governo do Estado, foram encontrados descartados em ecopontos e lixões da região metropolitana de São Luís, incluindo o Ecoponto do bairro Filipinho. Os exemplares fazem parte justamente do lote adquirido no pacote de R$ 242 milhões. O descarte de material novo e fechado, sem qualquer uso pedagógico, reforça a tese de que a compra pode não ter tido uma finalidade educacional real, mas sim servido como instrumento para o desvio de recursos públicos.
A relação entre os livros encontrados no lixo e os contratos milionários é direta e comprometedora. Se por um lado a SEDUC alega a necessidade de suprir a rede de ensino, por outro, o volume de exemplares abandonados antes mesmo de chegarem às salas de aula sugere que a aquisição foi superdimensionada ou meramente fictícia. Enquanto a Polícia Federal avança sobre as movimentações financeiras e a Assembleia Legislativa do Maranhão instaura uma CPI para investigar as denúncias que envolvem o próprio vice-governador e a pasta da Educação, a sociedade maranhense aguarda respostas sobre o destino de um investimento que deveria transformar a educação, mas que termina, literalmente, no lixo.
Veja Vídeo de Felipe Camarão na íntegra:
https://www.instagram.com/reel/DfAq0cvN90N/?mdxt=MTBtZm1mZ2M2dDJi



