Muito cedo para falar em sucessão? Sim. Cedo para observar os movimentos? De jeito nenhum.
Por Tribuna Maranhão
Uma eleição termina e outra começa.
É assim que funciona a política.
Ainda faltam dois anos para a eleição municipal de 2028, mas as urnas de 2026 já deixaram sinais importantes sobre a correlação de forças em Chapadinha.
Não se trata de antecipar o resultado de 2028 — seria precipitado. Trata-se de observar quem saiu das urnas com estrutura, quem ampliou seu espaço político e quem conseguiu transformar voto em capital político.
E, neste momento, três nomes aparecem no centro dessa conversa: Belezinha, Iracema e Foguinho.
BELEZINHA: O DESAFIO AGORA É A SUCESSÃO
A prefeita Belezinha continua ocupando o centro do grupo político que governa Chapadinha.
Em 2026, a estrutura política ligada à prefeita voltou a aparecer nas urnas.
Aluízio Santos alcançou 21.960 votos para deputado estadual em Chapadinha, segundo os dados eleitorais compilados a partir do TSE.
A votação não atingiu a meta estabelecida pelo grupo, mas revela que existe uma máquina política com capacidade de mobilização.
E aqui está o ponto central:
Belezinha não disputará a eleição de 2028. Mas terá de disputar politicamente a construção de sua sucessão.
Esse talvez seja o maior desafio do grupo.
Uma coisa é possuir uma liderança eleitoral consolidada. Outra, completamente diferente, é transferir essa força para um novo nome.
O primeiro semestre de 2027, portanto, tende a ser estratégico.
Quem será o escolhido?
Qual será o perfil?
Quais partidos estarão juntos?
E, principalmente: até onde irá a capacidade de transferência de capital político de Belezinha?
São perguntas que ainda não têm resposta.
IRACEMA: UMA NOVA DIMENSÃO POLÍTICA
Se Belezinha representa a força do Executivo municipal, Iracema representa uma estrutura política que ganhou dimensão estadual e federal.
A eleição de 2026 ampliou seu espaço político e trouxe uma nova condição de articulação.
Em Chapadinha, sua votação também cresceu em relação ao patamar anterior, fortalecendo a leitura de que existe um grupo político organizado ao seu redor.
Mas o verdadeiro desafio começa agora.
Manter esse grupo unido.
Uma eleição estadual consegue reunir interesses diferentes em torno de um mesmo projeto. Uma eleição municipal, porém, costuma ser muito mais complexa.
Em 2028, será preciso transformar essa convergência eleitoral em uma estrutura municipal permanente.
Iracema terá ainda outro ativo: o mandato federal e a possibilidade de articulação em Brasília.
Isso coloca recursos institucionais e capacidade de interlocução em outro patamar.
Mas mandato, estrutura e votação não substituem articulação local.
Em Chapadinha, 2028 será decidido também no território.
FOGUINHO: O DIGITAL QUER ENTRAR NO JOGO
E existe um terceiro fenômeno que não pode ser ignorado.
Foguinho.
Sem a mesma estrutura dos grupos tradicionais, o digital influencer mostrou que existe espaço para uma nova forma de fazer política.
Sua votação em Chapadinha em 2026 chamou atenção justamente por demonstrar que audiência digital pode ser convertida em voto.
E essa talvez seja a principal pergunta sobre seu futuro político:
Foguinho conseguirá transformar influência em organização?
Porque uma coisa é mobilizar seguidores.
Outra é construir grupo político, vereadores, lideranças comunitárias, alianças partidárias e presença territorial.
Se conseguir fazer essa transição, sua participação em 2028 poderá ganhar uma dimensão diferente.
Se não conseguir, sua votação poderá permanecer como um fenômeno eleitoral pontual.
O tempo dirá.
E OS OUTROS? O TABULEIRO AINDA ESTÁ ABERTO
Seria um erro imaginar que 2028 já está reduzido a três nomes.
A política de Chapadinha é dinâmica.
Novas candidaturas podem surgir. Antigos adversários podem se aproximar. Aliados podem mudar de posição. Partidos podem trocar de lado.
E há uma variável decisiva:
COMPOSIÇÃO.
Em eleição municipal, ninguém governa sozinho e ninguém disputa sozinho.
As chapas proporcionais, os vereadores, as lideranças comunitárias, os grupos empresariais, as alianças estaduais e a formação partidária terão peso significativo.
Por isso, os próximos meses serão menos importantes pelo discurso de candidatura e muito mais pelos movimentos de bastidor.
2027 SERÁ O ANO DAS CONVERSAS
Se 2026 foi o ano de medir forças nas urnas, 2027 tende a ser o ano de reorganizar as forças.
É quando deverão começar a aparecer os primeiros movimentos concretos:
Quem conversa com quem?
Quem se aproxima de quem?
Quem permanece no mesmo grupo?
Quem muda de lado?
Quem lança nome?
Quem espera?
Quem tenta construir uma terceira via?
E talvez a principal pergunta:
QUEM CONSEGUIRÁ TRANSFORMAR VOTO DE 2026 EM FORÇA POLÍTICA PARA 2028?
O FATOR GOVERNADOR TAMBÉM ENTRA NO CÁLCULO
A eleição estadual deixou outro dado importante em Chapadinha.
Eduardo Braide liderou a votação para governador no município no primeiro turno, com 26.233 votos e 60,91% dos votos válidos, enquanto Orleans Brandão teve 11.967 votos e Felipe Camarão, 4.474.
O resultado estadual terá consequências políticas, mas não determina automaticamente a eleição municipal.
O relacionamento entre Prefeitura, Governo do Estado, Câmara Municipal, deputados e lideranças locais poderá mudar ao longo dos próximos dois anos.
Por isso, também será necessário acompanhar como o novo governo estadual se relacionará politicamente com Chapadinha.
O JOGO COMEÇOU
Muito cedo para falar em eleição de 2028?
Sem dúvida.
Mas cedo para analisar os movimentos deixados pelas urnas de 2026?
Não.
Hoje, o cenário apresenta três movimentos distintos:
Belezinha parte de uma estrutura municipal consolidada e terá pela frente o desafio da sucessão.
Iracema entra em uma nova etapa de sua trajetória política, agora com mandato federal e maior capacidade institucional.
Foguinho surge como um fenômeno eleitoral que precisa mostrar se consegue transformar influência digital em organização política.
Os demais grupos terão tempo para se reorganizar, construir alianças e apresentar seus nomes.
Nada está decidido.
E talvez essa seja justamente a parte mais interessante.
Chapadinha ainda terá muitas conversas, alianças, rupturas e surpresas até 2028.
Mas uma coisa já pode ser dita:
A eleição de 2026 terminou. A disputa política de 2028, não.
O tabuleiro está montado.
Agora começam os movimentos.
E, em Chapadinha, o bicho vai pegar.
Tribuna Maranhão — Eleições 2026 é aqui.
