Nos últimos dias, a comunidade católica foi surpreendida por acusações e interpretações nas redes sociais envolvendo o bispo diocesano de Brejo, Dom José Valdeci Santos Mendes, em razão da celebração realizada no dia 7 de setembro, durante o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas.
A principal polêmica surgiu em torno da leitura do chamado “Credo da Juventude das CEBs – X Encontro Continental”, realizada durante a celebração. O texto apresenta expressões relacionadas à Igreja, à sociedade e à diversidade sexual que, quando retiradas de seu contexto, podem gerar interpretações equivocadas.
É importante esclarecer que o texto lido não corresponde ao Credo oficial da Igreja Católica nem substitui o Credo professado na liturgia. Conforme relatado pela própria matéria, tratava-se de um texto utilizado dentro do contexto do Grito dos Excluídos, apresentado pelo bispo como uma súplica dos jovens da América Latina diante de Deus.
Dom José Valdeci é conhecido por exercer um ministério pastoral marcado pela proximidade com os pobres, com os excluídos e com aqueles que vivem em situações de vulnerabilidade. É um bispo que procura acalentar o grito dos pobres, dando atenção às suas dores, esperanças e reivindicações e buscando, à luz do Evangelho, colocar a Igreja ao lado daqueles que muitas vezes não têm voz na sociedade.
Outro ponto importante é que o roteiro utilizado em Brejo não foi adotado em todas as celebrações relacionadas ao Grito dos Excluídos. A própria matéria cita, por exemplo, que a celebração realizada no Santuário Nacional de Aparecida utilizou outro roteiro.
Também foram realizadas, durante a celebração, preces relacionadas às eleições de 2026, pedindo discernimento aos eleitores. Entretanto, a assessoria de comunicação da CEPAST/CNBB esclareceu que a comissão não participou da elaboração do roteiro utilizado em Brejo e ressaltou que o Grito dos Excluídos é uma articulação formada por diversas organizações.
Diante disso, é necessário analisar os acontecimentos com responsabilidade e sem retirar os fatos de seu contexto. A leitura de um texto específico dentro de uma celebração vinculada ao Grito dos Excluídos não significa, por si só, que aquele texto tenha se tornado o Credo oficial da Igreja Católica ou que o bispo tenha promovido uma alteração na doutrina ou na liturgia da Igreja.
Críticas e questionamentos são legítimos, mas acusações precisam estar fundamentadas nos fatos, na verdade e no contexto completo da celebração.
Dom Valdeci segue sendo um pastor que procura ouvir e acalentar o grito dos pobres, dos excluídos e dos que clamam por dignidade — uma missão que encontra suas raízes no próprio Evangelho.
Texto de Artur Luís da Redação Tribuna.
