A uma votação do desfecho, confronto com Flávio Bolsonaro marca reta final de uma das disputas mais acirradas da história política brasileira; comparação entre o primeiro e o segundo turno coloca no centro do debate a possibilidade de uma virada histórica nas urnas.
Por Tribuna Maranhão | Análise especial — Eleições 2026
O último confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite desta sexta-feira (23), pela TV Globo, encerrou a maratona de debates presidenciais antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Em um duelo de aproximadamente duas horas e meia, os candidatos discutiram economia, infraestrutura, salário mínimo, políticas sociais, saúde pública, segurança e o futuro do país.
Uma disputa que pode entrar para a história
A eleição presidencial de 2026 chega ao seu momento decisivo com um cenário de forte polarização e uma disputa extremamente apertada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual.
Agora, a expectativa está concentrada na capacidade de cada candidato de conquistar os eleitores indecisos e ampliar sua votação. Para Lula, a possibilidade de uma vitória no domingo representaria seu quarto triunfo em eleições presidenciais e um feito histórico na política brasileira.
A narrativa de uma virada histórica ganha força entre os apoiadores do petista, que apostam na mobilização da reta final e na capacidade do presidente de transformar sua experiência política em votos. Entretanto, as pesquisas divulgadas na véspera apontaram cenários divergentes, com vantagens numéricas para candidatos diferentes e disputas dentro da margem de erro.
O resumo do debate da Globo
Economia, infraestrutura e custo de vida
O confronto começou com divergências sobre os investimentos públicos e a capacidade de concluir obras estruturantes. Flávio Bolsonaro criticou a existência de empreendimentos paralisados e questionou os resultados da gestão petista. Lula respondeu defendendo os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a continuidade de projetos em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias.
O salário mínimo e o poder de compra das famílias também estiveram entre os principais pontos de tensão. Flávio argumentou que os brasileiros enfrentam dificuldades para chegar ao fim do mês, enquanto Lula defendeu a política de valorização salarial adotada por seus governos e questionou as propostas econômicas do adversário.
Agronegócio e desenvolvimento regional
Os candidatos divergiram sobre financiamento rural, investimentos no agronegócio e estratégias para ampliar as exportações brasileiras. Lula defendeu a abertura de novos mercados e os investimentos em infraestrutura, enquanto Flávio criticou as condições oferecidas ao setor produtivo e apresentou sua visão para a expansão das ferrovias e do transporte de cargas.
O Nordeste também ganhou espaço no confronto, especialmente nas discussões sobre saneamento básico, infraestrutura e segurança pública. Flávio defendeu maior integração com os governos estaduais, enquanto Lula ressaltou os investimentos federais e as políticas de desenvolvimento regional.
Programas sociais e direitos das famílias
No debate sobre políticas sociais, os candidatos discutiram licença-maternidade, Bolsa Família, população em situação de rua e violência contra as mulheres.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Lula questionou a posição anteriormente adotada por Flávio sobre a ampliação da licença-maternidade. O senador reconheceu ter mudado de opinião e defendeu a importância do período de convivência entre mães e filhos.
A discussão evidenciou diferenças entre os candidatos sobre proteção social, prioridades orçamentárias e o papel do Estado na garantia de direitos.
Saúde pública e o futuro do SUS
A saúde foi outro tema de confronto. Flávio criticou filas, dificuldades de acesso a medicamentos e problemas de gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), defendendo cortes de desperdícios e mudanças administrativas.
Lula, por sua vez, defendeu a importância do sistema público, especialmente durante a pandemia de Covid-19, e responsabilizou a gestão de Jair Bolsonaro por decisões tomadas durante a crise sanitária.
O embate levou os dois candidatos a defenderem visões distintas sobre financiamento, eficiência administrativa e responsabilidade do governo federal na prestação dos serviços de saúde.
Ataques pessoais e estratégia eleitoral
Embora o debate tenha priorizado propostas e a disputa de legados, também houve momentos de confronto pessoal. Lula reagiu à expressão “nove dedos”, utilizada por Flávio, e cobrou respeito aos trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho.
O formato do encontro favoreceu a apresentação de propostas para diferentes regiões do Brasil, em um ambiente no qual os candidatos precisavam demonstrar preparo, capacidade de argumentação e conhecimento dos problemas nacionais.
O que fica para domingo?
O debate da Globo encerrou a última grande oportunidade de confronto direto na televisão antes da votação. Mais do que uma disputa de frases e acusações, o encontro colocou frente a frente dois projetos políticos e diferentes interpretações sobre o futuro econômico e social do Brasil.
Para Lula, a reta final representa a oportunidade de buscar os votos necessários para conquistar um quarto mandato presidencial. Para Flávio Bolsonaro, o desafio é preservar a vantagem obtida no primeiro turno e convertê-la em vitória definitiva.
A eleição de domingo poderá entrar para a história pela intensidade da disputa, pela polarização e pela possibilidade de uma mudança expressiva na posição dos candidatos entre as duas votações.
A decisão, porém, pertence aos eleitores. O desempenho no debate, as pesquisas e a mobilização das campanhas são elementos importantes, mas nenhum deles determina antecipadamente o resultado das urnas.
